Ensinar

por M. S. Costa

Aproximamo-nos da fenda que desce do teto irisado até o assoalho frio e grotesco, constatando que naquela moram seres alumiados a que dão o nome de vaga-lume. Somos todos fogos-fátuos, nós mesmos. Caminhamos agora em um recinto e, no que houver de vindouro, morreremos para ele. O fulgor no morro longínquo que avistamos ao longe faz crer que a nossa busca deve permanecer na direção que havíamos empreendido a princípio. Não se trata tão somente de mais um desses seres minúsculos que se inserem nas sombras. Acho que brilham como as lamparinas de mão dos homens e mulheres que procuramos para apresentar-lhes a sua realeza ignorada. Nossos olhos voltam-se para além quando pensamos encontrá-los, pois é de nosso conhecimento tácito que tudo não termina na linha do horizonte e que há de se encerrar em um sentido. Damos a eles a sua instrução, falamos a eles sobre vaga-lumes, estrelas cadentes e tanto quanto se pode estudar; quando se formam reis, partem para suas próprias buscas.  (…)

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