Aportando: a literatura que descobri nas cidades e Estado portuários

por M. S. Costa

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O navio de turismo em que eu trabalhava como atendente de Buffet aportou em uma pequena cidade escocesa. Consegui sair e caminhei até uma placa que apontava para o museu, onde estavam sendo vendidos alguns livros usados. Foi lá que comprei The Mulberry Tree, da chef de cozinha Jude Deveraux, a dois euros. A vendedora indagou, a sorrir, “gostou desse?” De fato, levei-o porque gostei muito do título e dos primeiros parágrafos que li sentada na cadeira dali.

No entanto, não o li enquanto estava a bordo. Na época, estava às voltas com um livro de poesias de Yeats filho e depois com o de missivas de Yeats pai. Os Yeats eram uma família de artistas irlandeses. Para minha alegria, quando o transatlântico parou em Dublin, havia shuttle bus, um ônibus para levar até o centro da cidade, e ele parou em frente à Biblioteca Nacional, onde havia uma exibição sobre o poeta W. B. Yeats. Foi assim que conheci sua história.

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Nesse dia, ao contrário do combinado com meu superior, não teria horas de folga para que os outros não se enciumassem e teria que trabalhar a mais no período da noite para compensar “o suficiente de ar fresco que tinha tomado lá fora”. Se antes meu sonho era conhecer a Irlanda, então havia se tornado ir para minha cama e dormir. Quando se trabalha de domingo a domingo, 11 horas por dia, momentos assim acabam sendo comuns. Mas, por fim, saí até um pouco mais cedo que o esperado, graças a Deus.

Li a história de Deveroux quando voltei ao Brasil e imediatamente tratei de DSC00579descobrir um exemplar do livro em português no sebo mais antigo da cidade para compartilhar com quem não soubesse inglês. De tanto que gostei do romance! O presente seria parcialmente recusado por dona Mirian, que disse preferir o dinheiro para fazer chapinha no cabelo.

Depois, comecei a ler a história real de Winnie, uma senhorita da ilha inglesa de Santa Helena que se casou com Odwaldo, um brasileiro, e tiveram nove filhos. Superando barreiras, primeiro da distância e, depois, financeiras – as quais quase os levaram ao divórcio – a narrativa conta como participaram da fundação de Maringá, entre outras coisas. A história dá ao livro o nome sugestivo de “Quando o amor transpõe o oceano”. Comprei-o a dois reais numa das máquinas de livros do metrô de São Paulo e era para levar para ler no navio, mas o esqueci e, ao invés dele, levei o “Uma viagem aos contos clássicos ingleses”, igualmente comprado da máquina, em SP.

No mais, o título em português do livro de Jude Deveraux não me agradou muito. Ficou “Amores & Amoras” e eu preferia “A amoreira”. But I won’t cry rivers, that’s for sure. : )

“As pessoas vivem por suas emoções. Suas emoções podem levá-las a fazer todas as formas de coisas extraordinárias.” (The Mulberry Tree)

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