Da cuidadora ao menino Charle

por M. S. Costa

A/C Charle,

em resposta ao pedido formal de melhoria na qualidade do atendimento.

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Ave!

Era tanto que passava enquanto lhe escrevia. Imagens aos montes.

É você que tem os segredos da linguagem. E é você que, a certo ponto, pode não ver que também eu tenho meu idioleto e que posso ser dada a certos movimentos robocópicos vez ou outra.

Eu, que sinto o que diz a meu modo, tenho as minhas próprias dúvidas. Também seus olhos estão no chão, demolidos? Porque me parece que se seus olhos caem, também caem os meus. É nosso momento de fusão. A empatia, a sintonia.

De minha parte, tenho alguns documentos que descrevem técnicas da linguagem. Se as aplico em demasia, rechaça-me por aplicá-las e acusa-me do tecnicismo. Se não as aplico, não sabe que monstros carrego no meu silêncio.

Você fala de sentir. Disso não entendo, até que sinta. Se sinto, digo: “valha-me, oh Deus!”

Sabes que, a seu modo, és cuidado? Que, a meu modo, cuido?

……………………………………………………………………………………………………………………………………….21.09.2008
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