Comunicado

por M. S. Costa

Senhores, interrompemos a nossa programação para solicitar um minutinho de sua atenção, por gentileza. Hoje, reunimo-nos em assembleia a fim de estabelecer as diretrizes para procura dos pedaços dos corações partidos de Airol e Marcel, no recinto de número 3, já que, como informam as engenhocas-que-nos-servem-para-bisbilhotar-a-vida-alheia-e-relatar-as-notícias-de-Carpe-Diem (puxa, não podiam inventar uma frase substantivada menor?), a operação faz-se necessária para que se preserve a inteireza dos sobreviventes corações partidos.

SAMU sentimental foi acionado e os psicólogos atestaram sua incapacidade numérica para a busca, tendo Garibaldo aproveitado o ensejo para manifestar a sua crítica geral para com estes profissionais que lidam com a alma: “o meu sentimento é o de que a avaliação pode ser muito mais ampla, muito mais humana do que é atualmente, que os psicólogos deveriam passar menos tempo classificando as pessoas e mais tempo tentando ajudá-las”*.

Peço a colaboração dos senhores para que, juntos, possamos avaliar formas de averiguação eficaz do recinto, de modo que não se perca nenhum dos pedaços avermelhados de coração que se espalham pelo chão e que se encontram recônditos nos móveis do vasto aposento.

Airol e Marcel padecem de desalmia, com abduções intermitentes da alma, e choram em períodos também intermitentes no leito, mas temos esperanças de que a presente Operação Tears in Heaven surta efeitos e que tão logo ambos estejam em condições de traduzir suas próprias lágrimas.

Direto da Rádio Dos Interceptadores de Dados, a correspondente e agente enviada Marisa Kubruski.

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* A frase é de Gardner, em “Inteligências múltiplas: a teoria na prática”.

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03.04.2012

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