Zero absoluto

por M. S. Costa

(Câmbio.)

A Nebulosa de Bumerangue está no Universo há tanto tanto tanto tempo que não digo ao certo há quanto tempo existe (minto, não sei). As propriedades gélidas do Cosmo encontram-se abastadas de informações sobre a efemeridade de muitos eventos que se sucedem na Terra. Os seres de face e coração gelados agradecem a preferência e são gratos ao Cosmo com tanta identificação e dedicação que quase se tornam o Universo. As núvens do espaço que perdoem os seres humanos, mas que as estrelas são a fonte mais gostosa de desprendimento e expansão em coisas frias, isso são. Há frio na expansão. Há calor no encolhimento? Ui ui ui, parva curiosidade.

(Em tempo: o impossível que me perdoe, encontrei o zero absoluto. E agora? O que faço dele?)

Este é o ponto zero de tudo. Era há alguns segundos, quando me pus a creditar à frase “este é o ponto zero de tudo” um ponto zero e quando me pus a creditar à frase “Era há alguns segundos, quando me pus a creditar à frase “este é o ponto zero de tudo” um ponto zero”  um ponto zero e quando…

(Quando? Argh, quando não, onde.)

Na Nebulosa de Bumerangue, moram os seres que vestem casacos de pele humana e que sobrevivem às custas de pelos turvos como só eles. Falta-lhes energia a tal ponto que do zero absoluto fartam-se de vez em quando. (Delícia!) Andam, andam, andam, porque é assim, um vaivém, nessa falta, nessa falta, nessa falta de energia. Chamam-se Icelanders. (Não, nenhuma relação com aquela coisa terráquia de Iceland. Uh uh, no.)

Ninguém visita Icelanders lá pela Nebulosa porque estão sempre muito preocupados com sua própria expansão, afinal esta é uma de suas funções, de modo que não há muito tempo para captar-lhes as essências e por eles empreender grandes afeições, já que suas propriedades viajam a600000 km/h, ou seja, toda hora têm seus600000 kmpercorridos no Universo e são velozes como só eles.

Tudo isso para algum terráquio captar algumas ondas de Icelanders, fotografar uma rota de escape perfeita, e ser pragmático no posicionamento de letras para formar um texto de ondas peculiarmente familiares. Hum. É, já estava na hora.

É, já estava na hora.

É, já estava na hora.

(Ops. Câmbio, desligo.)

Nora: É isso? The end?

Silício: Sistema em manutenção.

Nora: Ah.

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Em parte, faz-se uma tentativa de referência fictícia à Física Quântica, que alguns estudiosos afirmam não ser ainda por inteiro compreendida, mas é um tanto interessante.

……………………………………………………………………………………………………………………………………………….14.06.2010
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