Prosa das águias: ver, não ver, ser e estar.

por M. S. Costa

Possuía, em mãos, o que em metáforas de vida não pode dizer. Buscava o brincador interno que, escondido estava, por trás de olhos parcosem vitalidade. Nãoera a íris da poesia, nem o sabor dos floreios que faltava. Não se sabe o que tinhaem mãos. Sabe-seapenas do ocorrido: o perceber da vida e de seu sabor flutuava feito avião de papel ao vento.

_ Flutua, metáfora! Flutua, como vida! A metáfora está onde a vida flutua! – bem perto do ouvido, disse-lhe a outra águia.

_Cansa a falta de metáforas. Cansar ser, mas não estar presente. – baixo era o tom de seu som.

No ímpeto próprio da desistência, despertou, de súbito, o som já adormecido. Esbravejou à outra águia:

_ Dize, pois, o que quero! Meu querer é teu ditado!

_ Tens, tu, espírito de porco?

_ Se assim o diz. – o som, novamente, baixo. Como em conversa de rato.

_ Tens, tu, catacumbas nas asas?

_ Se assim o diz.

_ Ressente-te do ditado?

_ Se assim o diz.

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